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A vítima da guerra dos outros

6 de fevereiro de 2010

Este blogue tem uma postura crítica contra a política estadunidense contra os povos islâmicos em geral, especialmente as cruentas e irresponsáveis ocupações militares feitas no Afeganistão e Iraque, que, se não foram as causadoras do fenômeno dos homens-bomba, são a grande legitimadora destas práticas que chocam a todos.

O vídeo abaixo é uma reportagem da BBC de Londres sobre a história da menina Meena,  de 13 anos que, segundo a própria, teria fugido de seu destino: ser usada pela família como militante suicida no Paquistão.

Num primeiro momento, podemos ficar indignados com esta – terrível, aliás – prática de martírio telebã. Numa análise mais criteriosa, porém, devemos refletir em como a situação chegou neste nível nesta parte do mundo, os anos de exploração que foram alimentando um ódio cada vez mais crescente ao ocidente, o que culminou no mais fraco utilizar dos meios mais radicais para conseguir atingir, de alguma maneira, o inimigo.

Veja aqui o vídeo no site da BBC Brasil

Para desviar holofotes

5 de fevereiro de 2010

A cena é a mesma, mudam os personagens.
A notícia reproduzida a seguir foi publicada no site da BBC Brasil ontem, às 12h12min:

Chanceler israelense ameaça derrubar regime da Síria

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, ameaçou nesta quinta-feira “trucidar” o Exército da Síria e derrubar o presidente do país, Bashar al-Assad, em caso de uma guerra entre os dois países.

“Você e sua família perderão o poder”, afirmou Lieberman, acrescentando ainda que a Síria deve abandonar seus sonhos de recuperar a região das Colinas do Golã, ocupadas por Israel.

As ameaças agravam ainda mais a escalada verbal entre os dois países verificada nos últimos dias.
A recente escalada verbal entre os dois países começou no início da semana com uma declaração do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, que disse que se não houver um acordo de paz com a Síria, “poderá haver uma guerra generalizada”.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Moallem, declarou que os israelenses devem parar de se comportar como “bandidos” e afirmou que “os israelenses sabem que a próxima guerra pode atingir suas cidades”.
O ministro sírio também disse que Israel “está plantando as sementes de um clima de guerra, ameaçando atacar o Irã, o Líbano e a Faixa de Gaza”.

‘Provocações desnecessárias’

Líderes políticos da esquerda e da oposição classificaram as ameaças de Lieberman contra a Síria como “irresponsáveis e insensatas” e pediram que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu demita seu chanceler por fazer “provocações desnecessárias”. Além de ameaçar derrubar o regime sírio, Lieberman também anunciou que a Síria deve “abrir mão do sonho de reaver as colinas do Golã, isso não vai acontecer”.
A devolução das colinas do Golã, ocupadas por Israel durante a guerra de 1967, é a condição fundamental da Síria para qualquer acordo de paz com Israel.
A última ameaça ao regime sírio por parte de um líder israelense importante ocorreu poucos meses antes da guerra de 1967 e foi feita por Itzhak Rabin, então chefe do Estado Maior do Exército israelense e que seria posteriormente primeiro-ministro do país, de 1974 a 1977 e de 1992 até seu assassinato, em 1995.

‘Chute’

O historiador Moshe Maoz, especialista no mundo árabe, disse à rádio estatal de Israel que as ameaças de Lieberman são “gravíssimas”.
“Trata-se de uma provocação de extrema gravidade, principalmente quando vem de um ministro das Relações Exteriores, que supostamente deveria procurar caminhos diplomáticos, é uma catástrofe”, afirmou Maoz.
O deputado Eitan Kabel, do partido Trabalhista, exigiu que o premiê Netanyahu demita “imediatamente” o ministro das Relações Exteriores.
“Não é possivel que uma pessoa insensata e irresponsável como Lieberman ocupe uma posição tão importante em uma situação tão delicada”, afirmou. “Lieberman ultrapassou todos os limites e um primeiro-ministro razoável deveria dar um chute nele”, disse Kabel. O Partido Trabalhista faz parte da coalizão governamental liderada por Netanyahu.

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Ainda que o cidadão não saiba nada do assunto ou dos conflitos Israel X Mundo Árabe e seja um completo alienado em relação à geopolítica do Oriente Médio, uma rápida olhada para a coluna da direita do mesmo site, as manchetes relacionadas já dão uma pista do que se trata:

Ainda que careça de análises mais apuradas, esta novela não é nova: o sujeito, acuado em seu próprio quintal com investigações e acusações, resolve fazer pirotecnia em outras frentes, para desviar os holofotes de si para o fato, no caso, fabricado.  O problema, nesse caso, é a dimensão do que pode resultar nessa operação de ‘abafa’ particular: os ânimos, que nunca foram acalmados, podem chegar num estágio crítico e, uma vez mais, Israel se achar no direito legítimo de usar (e sempre abusar) de sua força bélica desigual na região contra os vizinhos.

Alguém aí vê semelhança com atos semelhantes praticados por um certo George W?